Perdi o emprego e agora? O que fazer?

Nós por cá, no Maisvalias não somos entendidos em emprego. Não é a coisa sobre a qual debrucemos grande atenção durante os nossos anos no activo, mas tivemos a seguinte questão: Se eu fosse despedido para onde me poderia virar? Como lidar com a situação? Que organismos me poderiam ajudar? O que fazer, basicamente!

Aqui, dado a nossa falta de know how, relativamente a este tema decidimos contactar a Hays.pt que respondeu prontamente pela voz do Hugo Pinheiro, Marketing Manager Spain & Portugal. As perguntas foram enviadas e o Duarte Ramos, Regional Director, respondeu a todas elas com bastante sumo e com um texto bastante motivador.

Quais os passos a realizar caso seja despedido?

A perda do posto de trabalho é vivida, na maior parte dos casos, com alguma carga emocional passageira. Isto acontece pela surpresa do trabalhador, o receio do futuro próximo, o impacto que o fenómeno possa ter na sua vida social ou mesmo pelo simples facto de existir uma alteração brusca dos seus hábitos.

Assim, depois de assimilar com a máxima frieza possível o facto de ter perdido o seu posto de trabalho, a pessoa em causa deve imediatamente encarar a sua reentrada no mercado de trabalho como um recomeço e com as oportunidades inerentes a qualquer novo projecto.

O mais importante nestes casos é encarar o tempo posterior à perda do posto de trabalho como um plano de comunicação e marketing pessoal para determinados sectores de mercado ou funções. Assim, deverá definir alguns sectores e funções onde imagina poder ter sucesso profissional, construir um currículo tópico e cativante, estudar as tendências e recolher os contactos das empresas à quais quer propor a sua candidatura e reunir um conjunto de publicações e websites de emprego para rever diariamente. Quanto mais tempo for investido na preparação da reentrada no mercado de trabalho, maior a probabilidade de reentrar nele rapidamente.

Onde posso melhorar as minhas capacidades para conseguir mais facilmente um emprego?

Antes de conseguir um emprego ou entrevista, um candidato deve pensar que existem fases a trabalhar até o conseguir.

Em primeiro lugar, deve construir um CV pouco extenso, mas com todos os tópicos demonstrativos da sua experiência profissional que lhe possibilitem ser convocado para uma entrevista. Não deve enviar o CV a todas as oportunidades e de forma indiscriminada, mas antes construir uma lista das empresas a que se candidatou e nunca enviar o CV repetidamente para essas empresas, principalmente num curto espaço de tempo. Além disso, deve assegurar-se de que o seu perfil seenquadra no anúncio ou oportunidade e não apenas num dos requisitos.

Seguidamente, existe a fase da entrevista. Aqui, mais do que técnicas de comunicação ou estratégias de “auto-ajuda” para bem suceder, pensamos que um factor muito importante será a preparação da entrevista: Estudar a empresa que o vai entrevistar, os seus concorrentes, os seus produtos ou serviços, a sua história no mercado e perceber em que medida pode preencher os seus interesses. Depois, não tentar criar uma imagem de uma pessoa que não é. Ser natural na entrevista permite-o interagir genuinamente com muito mais naturalidade e coerência.

Por fim, existem as fases posteriores do processo de recrutamento. Se passou a mais fases de entrevista é expectável que todos os interlocutores envolvidos neste processo tenham percebido o interesse que possui na empresa (e, na verdade, este deve existir). Quando lhe apresentarem uma proposta, seja transparente nas suas intenções financeiras e salariais, apresente valores concretos da sua última situação de emprego e esclareça as suas expectativas.

Tenho mais de 40 anos que tipo de abordagem devo ter quando procuro um emprego?

Para além das técnicas acima descritas devemos considerar o seguinte: Se um trabalhador desempregado investir as 8 horas de trabalho (que agora não tem) na procura de um novo emprego, equipara a suaprobabilidade de emprego a qualquer outro trabalhador. Nestas oito horas deve procurar oportunidades mas não só: deve definir os seus interesses, estudar as empresas onde pode vir a trabalhar, falar com outras pessoas e pedir conselhos sobre entrevistas, sobre o CV, sobre o mercado em si, se possível fazer simulações de entrevista, estruturar a apresentação dos seus pontos fortes e experiência profissional.

A que orgãos / agências se pode recorrer para ter acesso a conselhos / oportunidades de emprego?

Existem largas dezenas de empresas de recrutamento e trabalho temporário no mercado Português. Perceba a forma de trabalho e posicionamento de cada uma através de uma leitura da sua apresentação e dos seus anúncios. Depois, tente registar-se nessas empresas. Existem também dezenas de portais de emprego generalistas que lhe permitem criar um acesso, receber alertas e pesquisar diariamente oportunidades de emprego. Os jornaisgeneralistas e alguns semanários possuem ainda cadernos de emprego com diversas oportunidades, de forma a poder ir pesquisando dentro das suas áreas de motivação. Claro que a inscrição no centro de emprego da região de residência do trabalhador em causa é importante e, caso tenha sido dispensado, obrigatória para ser elegível a receber alguma protecção social neste momento de transição, bem como apresentações regulares ao centro com documentação comprovativa das suas tentativas de entrada no mercado de trabalho. O governo possui também um site oficial onde agrega oportunidades de emprego.

Quais são os problemas que estão associados ao desemprego de longa duração?

Os problemas associados ao desemprego de longa duração são um tema longo e de debate. De uma forma genérica, existem problemas que contribuem para o fenómeno e problemas que o tornam de mais difícil resolução. Em ambos os casos podemos destacar alguma rigidezno código de trabalho que dificulta a absorção destes trabalhadores pelas empresas, bem como alguma falta de formação académica ou técnica que os pode tornar, progressivamente, mais desactualizados em termos de novas ferramentas utilizadas pelas empresas. Também podemos incluir neste grupo algum imobilismo e falta de prática de alguns trabalhadores no mercado de trabalho, muitos deles com a cultura de um “emprego para a vida“.

Quais as estatísticas actuais sobre novos empregos que estão disponíveis?

Sabemos que a tendência de desemprego continua a aumentar mas está a atenuar-se. Este crescimento vai continuar durante mais alguns meses e talvez só retorne a uma ligeira inversão no final do ano ou no princípio do próximo. No entanto, existem alguns sectores e empresas que já se encontram numa situação algo distinta. Quaisquer estatísticas sobre o mercado de trabalho neste momento serão ainda falaciosas. Se por um lado, de uma forma geral, os números continuam a aumentar, a estatística não reflecte os sectores que estão numa situação distinta. A verdade é que as estatísticas oficiais demonstram que se reside numa zona urbana, terá mais probabilidade de emprego no sector do comércio e serviços. Se vive numa zona periférica, os sector produtivo e industrial ou mesmo relacionado ao sector primário equipara-se aos serviços e comércio.

Esperamos aqui no Maisvalias.com que esta informação lhe seja útil.

Agradecemos à Hays.pt ter-se prontamente prestado a responder às nossas perguntas.

Para se inscrever na Hays basta seguir para a página de inscrição.

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0 comments on “Perdi o emprego e agora? O que fazer?”

  1. Andrea Rainha Responder

    boa tarde!
    será que me pode ajudar numa questão? como este site não está propriamente virado para questões ligadas ao emprego, leis laborais, etc. será que me pode indicar onde poderei obter essas informações? Mais propriamente, eu estou a necessitar dde informações sobre em que situações, e se é possível, pedir a redução de horário, para, por exemplo, 6 ou 7 horas diárias. O meu horário é de 8 horas, mas nunca estou menos de nove ou nove e meia, e isto já começa a interferir com a minha qualidade de vida. Será que há situações semelhantes? Alguém me pode dar umas dicas? obrigada (R)

    • wemanage Responder

      Boa tarde Andrea:
      Em termos de sites não lhe sabemos recomendar nenhum, mas pode sempre contactar um sindicato relacionado com a sua profissão o a autoridade para as condições no trabalho (ACT).
      Tenha um excelente domingo!

  2. Pingback: O Maisvalias em Março 2010 | Maisvalias

  3. Ana Responder

    Boa Tarde,
    Preciso de uma informação e não soube encontrar melhor forma de inserir a questão, por isso inseri-a aqui, se for possível agradeço uma resposta:
    -Tenho um casal amigo que possui uma casa de habitação mobilada e inclusivé com computador, a qual está desabitada. Como necessito de uma habitação e me encontro em carência económica, pôs-se a hipótese de me cederem a referida habitação juntamente com todo o recheio, através de um contrato de comodato, por tempo indeterminado. -Gostaria de saber se este contrato para ser válido necessita de ir ás Finanças?
    -Se no contrato de comodato é obrigatório (por Lei) especificar (peça a peça) o recheio, ou se basta indicar que é com TODO o recheio incluído, uma vez que existem livros, quadros, etc.
    Grata
    Ana

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