Velhos para o trabalho e novos para a reforma

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“Tenho 50 anos, já estou velha/o para o mercado de trabalho”, todos os dias ouço esta frase no local onde dou formação. São pessoas que dedicaram anos da sua vida a uma empresa e que agora estão em situação de desemprego.

A tristeza, o desalento, o sentimento de abandono é notável nestas pessoas. Dedicaram-se anos e anos a uma empresa que agora lhes fechou a porta, e como se não fosse suficiente, também o mercado de trabalho lhes fecha a porta, pois são demasiado velhos para o trabalho.

Questiono-me muitas vezes, em que critérios determinadas organizações se baseiam para dizer que uma pessoa é demasiado velha para o trabalho. Notavelmente o factor idade é aquele que predomina. E as competências que estas pessoas adquiriram ao longo da vida, não contam? A experiência profissional de anos não é valorizada? O tratamento de igualdade não existe?

Onde está a responsabilidade social das nossas organizações? Sim, porque eu entendo que também deve passar por aqui. Dar oportunidade a pessoas que durante anos e anos trabalharam para uma sociedade, e que agora estão “abandonadas”por esta mesma sociedade.

A reforma só deverá chegar aos 65 anos de idade ou quanto muito a pré –reforma, que poderá ser pedida a partir dos 55 anos de idade e tendo em conta a carreira contributiva;  de que vão viver estas pessoas entretanto? Este não é de todo o tratamento que elas merecem.