Pobreza – Devem as Empresas Rever a sua Estratégia de Marketing?

A Unilever, empresa responsável pela comercialização de marcas que incluem a Dove, a Olá ou a Knorr, declarou através do seu Presidente para a Europa Ocidental que terá de adaptar a sua estratégia empresarial por ver “a pobreza regressar” ao continente.

Em entrevista ao Financial Times Deutschland, Jan Zijderveld, Presidente da Unilever para a Europa Ocidental, declarou que a pobreza regressou, de forma definitiva, à Europa, o que irá obrigar o gigante a rever a sua estratégia de marketing: “Se um espanhol não gasta em média mais de 17 euros quando faz as suas compras, não vou propor-lhe um pacote de detergente que custa metade do seu orçamento.”

A estratégia para “combater a pobreza” passará por adaptar a estratégia que a Unilever aplica nas economias emergentes, onde se incluem, por exemplo, os países asiáticos: vender porções de produto mais pequenas e, consequentemente, a preços mais baixos. Zijderveld continua ““Na Indonésia, vendemos amostras individuais de champô por dois a três cêntimos cada e mesmo assim ganhamos dinheiro”; a estratégia vai já sendo aplicada no país vizinho, onde os espanhóis podem agora, por exemplo, comprar pequenas embalagens de detergente para lavagem de roupa com apenas 5 doses (ao invés das habituais 60 doses).

Considerando a actual conjectura económica e os níveis de pobreza, para Jan Zijderveld não há dúvidas: os mercados europeus estão cada vez mais difíceis, facto agravado pelo número de economias em situação de resgate financeiro.

Em Portugal, a Unilever tem uma parceria com a Jerónimo Martins desde 1949, transaccionando sob a designação de Unilever Jerónimo Martins, responsável por marcas como Skip, Cif, Becel, Lipton e Axe.

Numa altura de crise, poderá esta mudança de estratégia ser benéfica para os consumidores? Será que a adaptação das estratégias de marketing e comercialização das empresas pode, de facto, combater ou, pelo menos, mitigar os níveis de pobreza na Europa?

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