Boletim Económico – Outono 2013 – Projeções económicas (BdP)

Já foi publicado pelo Banco de Portugal (BdP) o Boletim Económico – Outono 2013 – atualizando as previsões económicas para 2013:

  • A economia portuguesa continuou em 2013 o ajustamento dos desequilíbrios acumulados nas últimas décadas. Este ajustamento tem decorrido num enquadramento internacional desfavorável marcado pela estabilização da atividade económica nos principais parceiros comerciais e pela fragmentação dos mercados financeiros na área do euro.
  • Entre 2011 e 2013, a economia portuguesa passou de uma situação de necessidade líquida de financiamento externo de cerca de 10% do PIB para um excedente de 3%, o que constitui uma das características mais importantes do processo de ajustamento. É ainda de destacar a consolidação estrutural das contas públicas e a reafectação de recursos no sentido dos setores de bens e serviços transacionáveis.
  • As condições monetárias e financeiras têm permanecido restritivas em 2013, ainda que com um ligeiro desanuviamento. O crédito às sociedades não financeiras continuou a reduzir-se a um ritmo moderado, traduzindo a continuação do processo de desalavancagem e a contração da procura. Existe, no entanto, uma elevada heterogeneidade nas condições de financiamento às sociedades não financeiras, com as empresas mais dinâmicas a enfrentarem menores dificuldades de acesso a financiamento.
  • A orientação da política orçamental manteve-se restritiva em 2013 e a informação disponível aponta para o cumprimento do objetivo para o défice orçamental. A consolidação orçamental ocorrida no período 2011-2013 (que corresponde a um aumento do saldo estrutural em rácio do PIB de cerca de 8 p.p.) constitui um dos elementos mais importantes do processo de ajustamento da economia portuguesa, sendo indispensável para um crescimento sustentável.
  • As condições no mercado de trabalho continuaram a deteriorar-se em 2013, não obstante se tenha observado alguma reversão no 2º trimestre. A taxa de desemprego aumentou no 1º semestre e o desemprego de longa duração atinge já 60% do total de desempregados. A evolução recente das remunerações aponta para um aumento das variações nulas e negativas em 2011 e 2012, com um contributo significativo da rotação de trabalhadores para a redução dos custos salariais com o emprego.
  • As atuais estimativas apontam para uma contração do PIB de 1.6 por cento em 2013 (-3.2 por cento em 2012). A informação relativa ao segundo trimestre de 2013 e os indicadores disponíveis para o terceiro trimestre sugerem que se poderá estar a iniciar um processo gradual de recuperação económica. A atual estimativa tem implícita uma continuação do aumento da taxa de variação homóloga, que deverá regressar a valores positivos no final do ano.
  • A contração do PIB em 2013 combina uma nova contração da procura interna decorrente dos efeitos sobre o rendimento e a procura da continuação do processo de consolidação orçamental e de redução do endividamento do setor privado, com um crescimento robusto das exportações. A evolução das exportações, num contexto de evolução desfavorável da procura externa, determinou ganhos expressivos de quota de mercado pelo terceiro ano consecutivo, o que traduz uma capacidade notável de adaptação do setor produtivo português.
  • A inflação deverá cair para valores inferiores a 1 por cento em 2013. A manutenção de baixas pressões inflacionistas reflete uma forte moderação salarial e a queda dos preços das matérias-primas e das importações de bens não energéticos num ambiente internacional deprimido. Esta evolução dos preços tem implícito um alargamento das margens de lucro agregadas que, por refletir alterações importantes na estrutura empresarial portuguesa, constitui parte fundamental do reequilíbrio dos balanços do setor empresarial.
  • No futuro mais próximo, a economia portuguesa enfrenta o enorme desafio de retomar o pleno acesso a financiamento de mercado. O cumprimento desta etapa impõe que o país seja capaz de assegurar de forma credível a continuação do esforço de ajustamento ao longo dos próximos anos, exigindo o reforço em torno da envolvente institucional.

Consulte aqui o Boletim Económico – Outono 2013 – completo.

 

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