Salários sobem, mas a inflação continua a comer o rendimento: o que mostram os últimos dados?

Nas notícias ouvimos que os salários “estão a subir”, mas no final do mês muitos portugueses sentem que o dinheiro continua a não chegar. A explicação está na diferença entre aumentos nominais (o valor em euros) e aumentos reais (descontando a inflação).

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) ajudam a perceber o que está a acontecer ao poder de compra em Portugal.

O que dizem os números mais recentes?

De acordo com o INE, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador aumentou 5,3%, para 1 615 €, no trimestre terminado em setembro de 2025, face ao mesmo período de 2024. Em termos reais, isto é, depois de descontar a inflação, o ganho foi de cerca de 2,6%.
Ou seja, houve uma recuperação do poder de compra, mas bastante mais modesta do que os números “em bruto” deixam parecer.

Ao mesmo tempo, o INE confirmou que a taxa de inflação homóloga em outubro de 2025 foi de 2,3%, ligeiramente abaixo dos 2,4% registados em setembro. A variação média dos últimos 12 meses está em torno de 2,4%.

  • Salário médio bruto: 1 615 €
  • Variação nominal dos salários (último ano): +5,3%
  • Variação real dos salários (descontando a inflação): +2,6%
  • Inflação homóloga em outubro de 2025: 2,3%

Se os salários já sobem mais do que a inflação, onde está o problema?

Os dados do último trimestre mostram alguma melhoria real, mas é importante olhar para o filme completo, e não apenas para a “fotografia” mais recente.

Entre 2022 e 2023, a inflação esteve vários pontos acima do crescimento salarial, o que provocou uma forte perda acumulada de poder de compra. Agora, mesmo com salários a subir ligeiramente acima da inflação, essa recuperação é lenta.

Podemos pensar assim:

  • Anos em que a inflação sobe mais do que os salários ⇒ perda de poder de compra acumulada;
  • Anos em que os salários sobem mais do que a inflação ⇒ recuperação, mas gradual;
  • Quanto maior a perda passada, mais tempo demora a “voltar ao ponto de partida”.

Como é que isto se sente no dia a dia?

Mesmo com uma melhoria estatística, as famílias continuam a lidar com:

  • Preços permanentemente mais altos em bens essenciais (alimentação, energia, habitação);
  • Prestação da casa mais cara, após anos de subida das Euribor;
  • Menor margem para poupança, especialmente em rendimentos mais baixos;
  • Maior dificuldade em lidar com despesas imprevistas.

Daí a sensação de “salário apertado”, mesmo quando as estatísticas falam de aumentos.

O que cada pessoa pode fazer para proteger o seu rendimento real?

Não conseguimos controlar a inflação, mas podemos agir sobre aquilo que depende de nós. Eis algumas estratégias práticas:

1. Rever despesas fixas com regularidade

Contratos de telecomunicações, energia, seguros e outros serviços devem ser revistos pelo menos uma vez por ano. Pequenas poupanças em várias rubricas podem libertar dezenas de euros por mês.

2. Automatizar a poupança

Definir uma transferência automática para uma conta de poupança ou produto de investimento logo após o recebimento do salário é uma forma simples de “pagar-se a si próprio primeiro”. Mesmo 20 € ou 30 € por mês fazem diferença no longo prazo.

3. Construir (ou reforçar) o fundo de emergência

Idealmente, o objetivo é atingir o equivalente a 3 a 6 meses de despesas mensais. Este colchão é essencial num contexto de incerteza, desempenho económico moderado e custos de crédito ainda elevados.

4. Investir de forma gradual e diversificada

Com taxas de juro mais baixas nos depósitos e inflação positiva, deixar todo o dinheiro em contas à ordem e depósitos pode significar perda de poder de compra no longo prazo. Investimentos diversificados (por exemplo, através de fundos ou ETFs de baixo custo) podem ser uma alternativa – desde que adequados ao perfil de risco de cada pessoa.

5. Trabalhar o lado do rendimento

Negociar aumentos salariais, procurar progressão interna, investir em formação ou desenvolver fontes alternativas de rendimento (freelance, pequenos negócios, serviços) são formas de compensar a pressão da inflação.

Perspetivas para os próximos meses

As projeções mais recentes apontam para uma inflação a estabilizar em torno de 2% nos próximos anos, o que é compatível com um ambiente de preços mais previsível. No entanto, tudo dependerá da evolução da economia europeia, do mercado de trabalho e das políticas salariais em cada setor.

Se os salários continuarem a crescer um pouco acima da inflação, será possível recuperar, lentamente, parte do poder de compra perdido entre 2022 e 2023. Mas essa recuperação será desigual e mais lenta para quem tem salários mais baixos.

Conclusão

Os números mais recentes mostram uma ligeira melhoria: os salários médios brutos estão a crescer mais do que a inflação. Mas isso não apaga a perda acumulada de poder de compra dos últimos anos, nem resolve, por si só, as dificuldades sentidas por muitas famílias.

Perante este cenário, a melhor resposta individual passa por ganhar consciência dos números, ajustar o orçamento, reforçar a poupança e procurar, sempre que possível, melhorar o rendimento e tomar decisões mais informadas sobre poupança e investimento.


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Este artigo foi elaborado com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisto pela equipa editorial do Maisvalias.com. As informações aqui apresentadas têm carácter meramente informativo e não constituem aconselhamento financeiro, fiscal ou de investimento.

As condições dos produtos financeiros e os dados macroeconómicos referidos podem sofrer alterações a qualquer momento. Recomenda-se sempre a confirmação de informação mais recente junto de fontes oficiais (INE, Banco de Portugal, AT, entre outras) ou de um profissional qualificado.

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